Talentous
Meu primeiro SaaS: nasceu de um script que gerava, com IA, um currículo personalizado para cada vaga, e acabou me apresentando ao meu sócio.
Startup de atendimento com IA no WhatsApp que fundei com o Diogo Paes, onde sou CTO e dev full stack: agente de IA, CRM e agendamento.
Por volta de junho de 2026, eu tinha uma vontade que não saía da cabeça: fazer alguma coisa com inteligência artificial. A IA estava ganhando força em todo canto, e eu queria colocar ela dentro de um produto de verdade, automatizando algum processo, e transformar isso num SaaS (aquele software que a empresa assina e usa pela internet, sem instalar nada).
O primeiro passo foi o Talentous, o meu primeiro SaaS. Mas a ideia de usar IA no atendimento continuava ali, me cutucando. Então fui estudar: LangChain, orquestração de agentes, RAG (quando a IA consulta uma base de informações antes de responder, em vez de tirar tudo da própria cabeça) e por aí vai.
Só que, depois de tanto estudo, percebi que precisava colocar aquilo em prática. Uma hora eu tinha que botar a mão na massa.
E se a IA fizesse o atendimento no WhatsApp?
Montei um MVP para rodar no WhatsApp e mostrei para um amigo, e percebemos que ali tinha potencial. Assim nasceu a Hidem, a startup que eu e o meu sócio, Diogo Paes, estamos construindo. Eu sou o CTO, o responsável técnico e o desenvolvedor full stack do projeto. O Diogo é o sócio comercial.
O nosso primeiro cliente foi o pai do Diogo, que tem uma agência de viagens. Ele e a esposa tocavam o atendimento sozinhos, e não davam conta de responder todo mundo. E atendimento de agência não é só "oi, tudo bem?". Para montar uma cotação, eles precisavam coletar um monte de informação: o destino, quantas pessoas vão, se tem criança, a idade das crianças e tudo mais. Nesse vai e volta de perguntas, muito cliente se perdia pelo caminho.
Implementamos a solução para ele, e ele gostou muito. Daí testamos com outros clientes, sentimos que o mercado tinha demanda de verdade e decidimos fazer a coisa direito: abrimos o CNPJ e começamos a atuar formalmente, conquistando mais clientes.
Quando começamos, quase não tinha concorrente. Mas não demorou para aparecer gente fazendo coisa parecida. Então passei uns dois meses reestruturando o produto, para ele ficar bom e escalável, pronto para crescer junto com os clientes.
O mercado ainda está bem aberto, e muita empresa ainda não adotou esse tipo de sistema. E vimos muita gente começando a desenvolver isso de forma simples, só um bot plugado numa IA e pronto. Parece simples... Mas nem tudo são flores. No dia a dia aparecem vários problemas técnicos, que pedem um desenvolvedor experiente para resolver. Vou contar dois deles.
Quando você conversa com uma IA no chat comum, é tudo bem comportado: você escreve, a IA processa e devolve. Enquanto ela está pensando, você não manda outra mensagem.
No WhatsApp não é assim, né? A pessoa manda "oi", depois "tudo bem?", depois "queria saber o preço", depois um áudio... Três, quatro, cinco mensagens seguidas. Se o agente responder cada uma separada, vira uma bagunça: respostas atropeladas, a IA respondendo metade da pergunta e por aí vai.
Esse é um dos primeiros problemas que precisa resolver, e tem nome: debounce de mensagens. A ideia é dar um tempinho antes de responder e, quando esse tempo acabar, conferir se não chegou mensagem nova. Se chegou, espera mais um pouco. Só quando a pessoa para de digitar é que o agente junta tudo e responde de uma vez, como um atendente de verdade faria.
O outro problema é o dos grandes fluxos. Imagine um atendimento com muitos ramos: a conversa pode ir para orçamento, para agendamento, para dúvida sobre produto, para suporte... Se você joga todo esse contexto de uma vez para a IA, ela se perde.
Criamos estruturas para organizar esses fluxos e não deixar a IA se perder no meio do caminho. Demorou, mas hoje funciona.
Com tudo isso no lugar, hoje temos pronto o agente de inteligência artificial que atende no WhatsApp e um CRM, onde a empresa acompanha toda a operação do negócio: quanto está vendendo, quais produtos, quem está sendo atendido e em que pé está cada conversa.
Pelo que mostramos no site, o agente:
E, quando não sabe a resposta, ele não inventa. A ideia nunca foi esconder o humano atrás de um robô.
A inteligência artificial não substitui o humano. Ela encontra o humano.
Também temos uma base de produtos, para catalogar os itens da loja no agente, que consegue atender, informar e calcular preços. A venda pela conversa ainda não fazemos, porque o nosso foco foi para o agendamento.
Fomos ganhando maturidade com o tempo, vendo o que o mercado pedia e construindo em cima disso, com calma. Hoje focamos em empresas que têm mais de uma pessoa operando. O CRM suporta vários usuários, e o atendimento no WhatsApp pode ser direcionado para pessoas diferentes.
Pensa numa clínica de pilates ou de fisioterapia: a cliente tem várias professoras, e, dependendo do horário, o agendamento cai com uma ou com outra. Dá para marcar horários recorrentes (toda terça e quinta, por exemplo) e conferir esses compromissos depois.
A Hidem é construída em microserviços. Usamos Python, PHP com Laravel para fazer algumas coisas, Redis, RabbitMQ e, por enquanto, os modelos da OpenAI e da Anthropic.
Hoje, em outubro de 2026, a Hidem é uma empresa oficial, já está gerando receita, e tem empresa usando o nosso sistema como agenda oficial para atender os clientes. Um cliente de energia solar, por exemplo, não tem tempo de ficar respondendo as pessoas o dia inteiro. O agente faz isso por ele, inclusive a venda de limpeza de placas e o follow-up.
E como tem sido? Muito bom. Foi a minha primeira startup e a minha primeira experiência como empresário: o primeiro CNPJ que abro, o primeiro contato de verdade com o mercado, atendendo outras empresas e oferecendo um programa que é o coração da operação delas.
Isso pesa. Um cliente chegou a demitir a pessoa que fazia essa função para contratar o nosso sistema. Sinto que temos uma responsabilidade enorme com essas empresas, principalmente eu, que sou o único desenvolvedor. Se o sistema cai, é a operação de alguém que para.
Tenho gostado muito disso e aprendido demais com sistema em produção, colocando as coisas para funcionar de verdade. É uma tese que levo para tudo: você aprende muito mais rápido fazendo do que só treinando.
A Hidem também me ajudou a enxergar melhor o meu propósito. Estou exatamente onde eu queria estar: construindo soluções, resolvendo o problema de outras pessoas e usando tecnologia para isso, com inteligência artificial e agentes de IA.
Sempre gostei de ajudar as pessoas desse jeito, e poder fazer disso o meu trabalho tem sido a realização de um sonho 🥹
E se a sua empresa também vive no WhatsApp e não está dando conta de responder todo mundo, já sabe onde nos encontrar: hidem.com.br (abre em nova aba) 😁
Meu primeiro SaaS: nasceu de um script que gerava, com IA, um currículo personalizado para cada vaga, e acabou me apresentando ao meu sócio.
O primeiro programa que vendi: um app que monta sozinho videoaulas de cifra, sincronizando letra, acordes e desenhos com IA.