Projeto Sonora
O primeiro programa que vendi: um app que monta sozinho videoaulas de cifra, sincronizando letra, acordes e desenhos com IA.
Meu primeiro SaaS: nasceu de um script que gerava, com IA, um currículo personalizado para cada vaga, e acabou me apresentando ao meu sócio.
Tudo começou quando eu queria um emprego. Tinha acabado de terminar o Projeto Sonora, a minha primeira experiência oficial como desenvolvedor, e queria mais: trabalhar na área, participar de projetos, ser ativo de verdade.
Então fiz o que todo mundo faz: comecei a mandar currículo para as empresas. E foi muito difícil...
Eu tinha 19 anos, mas já tinha quatro anos de experiência, um monte de projetos, tinha participado de comunidades de programação (como a Code Company) e de várias outras iniciativas. Só que mostrar tudo isso num currículo é complicado. Quem pega o documento vê só um jovem de 19 anos sem formação formal. Se a pessoa visse todas as minhas experiências, seria outra história.
Passei um bom tempo nessa luta, aplicando para vaga atrás de vaga. Até que fui pesquisar como outros desenvolvedores resolviam esse problema.
Descobri duas coisas. A primeira: muita gente estava usando IA para corrigir o currículo. A segunda: existe um tal de ATS (Applicant Tracking System) no meio do caminho, que dificulta muito a passagem.
Para quem não conhece, o ATS é o sistema que muitas empresas usam para receber e filtrar os currículos. Antes de um recrutador colocar o olho no seu, o programa lê o documento e procura as palavras-chave da vaga. Se não encontra, o seu currículo pode nem chegar a um humano.
E quase todo mundo dizia a mesma coisa: tem que personalizar o currículo para cada vaga. Escolher as experiências que mais combinam, usar as palavras-chave certas e adaptar o documento inteiro. Assim as chances aumentam tanto com o algoritmo quanto com o recrutador.
Isso ficou na minha cabeça...
E se, em vez de adaptar o currículo na mão para cada vaga, eu automatizasse o processo?
No começo não era um SaaS, era um projeto pessoal, só para resolver o meu problema de aplicar para vagas todos os dias. Criei um script simples em Python que, a partir das minhas informações, usa uma LLM para analisar a vaga e gerar um currículo personalizado. Assim eu não precisava editar tudo manualmente a cada oportunidade.
E aqui a minha sorte foi já ter um site portfólio, este aqui mesmo. Hoje ele está atualizado e com um visual bem melhor, mas na época o visual era de dois ou três anos antes, todo feito à mão. Agora está mais bonitinho ksksk
Como eu já tinha tudo bem documentado, com as minhas principais experiências e projetos, foi fácil entregar isso para a IA. Depois fui estudando o que o pessoal falava sobre os algoritmos de ATS e melhorando aos poucos.
Cheguei num resultado muito legal: bastava colar a vaga, e a IA entregava um currículo top, com a quantidade certa de palavras-chave, as melhores experiências selecionadas e tudo apresentado de um jeito alinhado ao que a vaga pedia.
E funcionou! Comecei a ser chamado para entrevistas. A primeira não deu certo, mas a porta já estava abrindo.
Foi quando pensei: se eu estou passando por esse problema, outras pessoas também devem estar. E se eu criasse um SaaS com isso? Ainda dava para ganhar um dinheirinho.
Esse projeto foi muito importante para mim por outro motivo: foi o primeiro em que usei IA para programar. E eu era negacionista de IA, acreditava que ela só gerava resultado ruim. Mas foi a primeira vez que usei o Codex e, quando vi o resultado, fiquei chocado. Principalmente com o visual do front-end. Me impressionou DEMAIS 🤩
Então adaptei o script que eu já tinha para funcionar em PHP, criei o SaaS, coloquei a parte de pagamento e lancei. Assim nasceu o Talentous, o meu primeiro SaaS.
O script começou em Python e depois foi adaptado para PHP, com Laravel. No banco de dados usei o PostgreSQL, como LLM ficou a OpenAI e, para receber os pagamentos, o Mercado Pago. O LibreOffice também entrou na stack.
Bom... Depois de lançar, não investi tanto tempo nele. Cheguei a reportar os resultados no X, mas ele não teve muito resultado de venda.
O serviço ficou no ar por um tempo, depois saiu da VPS e ficou parado. Hoje, em outubro de 2026, estou retomando o Talentous, com a ideia de ele gerar algum faturamento mensal. Ainda vou fazer adaptações, então quem sabe, quando você ler esta matéria, ele já não esteja de cara nova.
Antes de tudo, quero validar o negócio e escolher um mercado para nichar (já conto o porquê lá embaixo), deixando o produto mais aprimorado para essas áreas. Também quero melhorar a geração de currículo, que é o coração dele: já tenho um monte de features em mente nesse sentido. E vou adicionar mais modelos de currículo: ele estava só com dois, porque não deu tempo de fazer mais.
Uma coisa que esse projeto me mostrou é o quanto a IA abriu espaço para produtos novos. Coisas que a gente ainda nem está pensando, que ainda não deu tempo de os desenvolvedores refletirem.
Pensa num programa que cria currículos automaticamente, com a qualidade que tem hoje. Se eu dissesse para qualquer pessoa, dois anos atrás, que isso existia, ela não ia acreditar. Qualquer desenvolvedor ia achar incrível e perguntar como eu consegui: se criei uma rede neural própria, onde arrumei uma montanha de currículos para treinar ela, e por aí vai. Dois anos atrás isso pareceria magia, ou projeto de big tech. Hoje, a quantidade de coisas que dá para fazer é absurda.
E foi exatamente isso que me puxou. Logo que terminei o Projeto Sonora, eu queria fazer alguma coisa com IA que resolvesse um problema de verdade, e o Talentous foi isso.
Mas o Talentous me deu uma coisa que não estava no plano: foi por causa dele que conheci o Diogo Paes, que hoje é o meu sócio na Hidem.
A gente se conheceu na turma de Sistemas de Informação da UFMS, e eu apresentei o projeto para ele. Ele gostou, achou legal, e começamos a conversar. Viramos amigos e percebemos que tínhamos ideias bem parecidas. Logo depois surgiu a ideia de começar um negócio nosso, e assim nasceu a Hidem.
A Hidem é uma startup caminhando para virar um SaaS. Ainda não é exatamente um, mas estamos trabalhando para ter um produto escalável. Passamos por um bom processo de estudo (os detalhes estão no artigo da Hidem), e uma das coisas que fizemos errado foi tentar atender todo mundo. Percebemos que quem tenta atender a todos, na verdade, não atende ninguém. Então decidimos focar em um nicho só.
E é essa mesma lição que vou levar para a retomada do Talentous: em vez de tentar servir para todo mundo, escolher um mercado e deixar o produto muito bom para ele.
No fim, eu queria um emprego e saí com um SaaS, um sócio e uma startup. Nada mal para um currículo 😁
O primeiro programa que vendi: um app que monta sozinho videoaulas de cifra, sincronizando letra, acordes e desenhos com IA.
Startup de atendimento com IA no WhatsApp que fundei com o Diogo Paes, onde sou CTO e dev full stack: agente de IA, CRM e agendamento.